Governos, povos indígenas e comunidades locais, bem como o setor privado, ampliam o apoio a um novo mecanismo de financiamento florestal
Na sequência de um calendário repleto de eventos da Semana de Ação Climática de Londres, o Fundo «Tropical Forest Forever» (TFFF) voltou a estar na ordem do dia na Conferência de Sustentabilidade de Hamburgo, esta semana, dando início a dois dias de debates sobre a criação de economias resilientes com um evento que reuniu governos de todo o mundo, povos indígenas e comunidades locais, bem como o setor privado, para uma discussão sobre esta abordagem revolucionária à conservação florestal.
O evento, que esgotou a lotação, fez um balanço dos progressos alcançados desde a COP30, destacou o papel crucial que os povos indígenas e as comunidades locais têm desempenhado na definição da estrutura geral do TFFF, centrou-se no que é necessário para passar do compromisso político à implementação e delineou os próximos passos para tornar o TFFF operacional como um instrumento credível e transformador para o financiamento florestal a longo prazo.
O Secretário de Estado do Ministério Federal Alemão da Cooperação Económica e do Desenvolvimento, Niels Annen, destacou as novas formas de cooperação multilateral que estão a moldar o TFFF à medida que este passa de um conceito para uma realidade consolidada. «Inicialmente liderado por países do Sul Global, o TFFF é agora uma colaboração global entre um conjunto diversificado de intervenientes internacionais. O TFFF reflete a nossa ordem mundial em transformação, com soluções novas e orientadas para o impacto a emergirem de novas parcerias. Todos os países deveriam encontrar formas de fazer parte do TFFF.»
A Secretária de Estado do Ministro do Desenvolvimento Internacional da Noruega, Stine Renate Håheim, afirmou: «Vivemos tempos difíceis. É muito importante que possamos reunir-nos aqui para construir confiança, esperança e soluções como o TFFF. Os ecossistemas das florestas tropicais são essenciais para a alimentação e o abastecimento de água. A falta de alimentos e de água gera conflitos. E os conflitos geram mais conflitos. O TFFF não é apenas um fundo para a conservação, mas também um fundo para a alimentação, para a água e para a estabilidade. Não podemos dar-nos ao luxo de falhar na proteção das florestas tropicais. Exortamos mais países a agirem de forma estratégica e ousada e a assumirem compromissos com o TFFF.»
Um dos aspetos únicos do TFFF é o grau de envolvimento dos povos indígenas e das comunidades locais enquanto co-arquitetos, o que resultou em estruturas de conceção e governação que estabelecem precedentes. Por exemplo, a dotação financeira específica exige que, no mínimo, 20 % dos pagamentos florestais sejam atribuídos aos povos indígenas e às comunidades locais, canalizando capital em grande escala diretamente para os gestores florestais, em reconhecimento do seu trabalho enquanto força de trabalho global na área da conservação.
Juan Carlos Jintiach, Secretário Executivo da Aliança Global para as Comunidades Territoriais, que está profundamente envolvida no processo de conceção do TFFF, afirmou: «Temos vindo a preservar os ecossistemas das florestas tropicais desde antes mesmo de o capitalismo ser um conceito. Possuímos conhecimentos e ciência tão antigos quanto a própria floresta. Fomos convidados a participar na criação do TFFF há alguns anos, o que já é notável. Agora, continuamos a participar para garantir que o compromisso de atribuir, no mínimo, 20 % dos fundos aos povos indígenas e às comunidades locais seja cumprido. O TFFF é a nossa oportunidade de mostrar ao mundo que podemos trabalhar juntos de novas formas, partilhar conhecimentos e resolver problemas globais reais.»
Valerie Hickey, diretora de Ambiente do Grupo do Banco Mundial, falou sobre o potencial do TFFF para transformar a forma como a conservação florestal é financiada. «As florestas são infraestruturas naturais que geram emprego e economias mais competitivas», afirmou Hickey. «O TFFF foi concebido para recompensar a conservação florestal verificada e mensurável, garantindo pagamentos previsíveis e baseados no desempenho que beneficiam diretamente tanto os países como as comunidades que gerem este capital natural. O Grupo do Banco Mundial tem o prazer de apoiar este esforço, fornecendo a estrutura administrativa necessária para que esta iniciativa arranque.»
O Conselheiro Especial do Ministério das Finanças do Brasil, João Paulo de Resende, explicou as vantagens de recorrer aos mercados financeiros para criar um mecanismo capaz de gerar fundos para as florestas em grande escala. «Enquanto as florestas tropicais permanecerem de pé, proporcionam ao mundo serviços ecossistémicos cruciais, independentemente do contexto político do momento», afirmou de Resende. «O TFFF é um mecanismo financeiro à altura desse desafio. Funciona independentemente do que se passa na política global, para além dos ciclos políticos de curto prazo. Permitir-nos-á, finalmente, investir na preservação das florestas tropicais — uma infraestrutura natural essencial — à escala global.»
«O TFFF oferece um ponto de entrada credível no financiamento relacionado com a natureza, mobilizando capital em grande escala através de resultados mensuráveis em matéria de proteção florestal e de um financiamento previsível e baseado no desempenho», afirmou Esra Turk, Diretora Global de Finanças Sustentáveis do Banco de Investimento do Deutsche Bank. «A governação do TFFF é robusta, com transparência, verificação independente de dados e avaliação de impacto incorporadas nos seus sistemas, sendo o Banco Mundial o anfitrião do secretariado do TFFF. O envolvimento contínuo dos investidores visa garantir que a estrutura esteja alinhada com as expectativas do mercado. O Deutsche Bank orgulha-se de apoiar o TFFF.»
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